Comecei minha jornada no design fascinado pela estética e pela funcionalidade. Mas, ao longo do tempo, percebi que o design vai muito além disso. Ele é uma ferramenta poderosa para entender o ser humano, conectar com suas emoções e solucionar problemas complexos. Comecei a questionar o papel da razão e da intuição em nosso processo de criação e como a cultura e os valores morais nos influenciam.
O Desafio da “Ilusão Racionalista”
Descobri que o caminho do design estratégico não é puramente racional. Os estudos de Haidt e outros me mostraram que somos seres movidos pela intuição e emoção, e o raciocínio vem depois, frequentemente para justificar o que já sentimos. Como líder de design, isso me fez repensar como conduzo projetos. A empatia, a escuta ativa e a pesquisa qualitativa tornaram-se ferramentas indispensáveis, para que possamos dialogar com os “elefantes” (nossas intuições), e não apenas com os “condutores” (nossa razão).
A forma como as pessoas nos veem e como nos apresentamos ao mundo é algo que não podemos ignorar. O design estratégico pode ser uma ferramenta de conexão e persuasão. Ao compreender os valores e as motivações das pessoas, podemos criar soluções que realmente as impactem e que se destaquem da concorrência.
O estudo de Greene, mencionado em A Mente Moralista de Jonathan Haidt, utiliza um cenário clássico: um trem desgovernado se aproxima de um grupo de pessoas. A questão é se você mudaria o curso do trem para atingir apenas uma pessoa, salvando as outras. Este exemplo ilustra como as emoções desempenham um papel crucial em nossos julgamentos morais, com as pessoas reagindo de forma mais emocionalmente intensa quando a ação envolve dano físico direto. Este estudo demonstrou que áreas do cérebro ligadas às emoções são ativadas quando as pessoas avaliam dilemas morais, e a intensidade dessas ativações prediz seus julgamentos morais.

Diferentes fontes mostram que nossa psicologia moral é a base para a vida em sociedade, e o design pode ser um agente de transformação nesse sentido. Ao aplicar os princípios do design estratégico, podemos desenvolver produtos e serviços que promovam a inclusão, a sustentabilidade e o respeito à diversidade. Um exemplo disso é o case da Sambazon (leia o artigo Design Estratégico: Como ele pode alavancar resultados do seu negócio), que demonstra como o design estratégico pode gerar valor para os usuários, para o negócio e para a sociedade.
O design estratégico é um esforço de equipe, que integra diferentes áreas da empresa e que se beneficia da diversidade de perspectivas. Como líder, meu papel é garantir que todos se sintam à vontade para compartilhar suas ideias e que as decisões sejam tomadas de forma colaborativa. É importante criar um ambiente onde o debate seja valorizado e as perspectivas sejam respeitadas, pois a diversidade é um grande impulsionador da inovação.
Metodologias e Ferramentas
O design estratégico não é um processo aleatório. Ele se apoia em metodologias como o Design Thinking e o Service Design, que nos ajudam a estruturar o processo de design, desde a ideação até a implementação. Também utilizo ferramentas de UX Research, como entrevistas contextualizadas e testes de usabilidade, para obter insights valiosos dos usuários e validar as soluções propostas. Os protótipos são um recurso importante para testar hipóteses e verificar a viabilidade de uma ideia antes de colocá-la em prática.
Minha função como líder vai além de coordenar projetos. Eu me vejo como um semeador da cultura do design na empresa, incentivando a experimentação, a aprendizagem contínua e a busca por soluções inovadoras. Isso envolve o desenvolvimento de soft skills como a comunicação, a empatia e o pensamento crítico, que são tão importantes quanto as habilidades técnicas.

O Futuro do Design Estratégico
O futuro do design estratégico passa pela crescente importância da experiência do usuário, pela necessidade de soluções sustentáveis e inclusivas e pelo uso da tecnologia para impulsionar a inovação. Como profissionais de design, devemos estar atentos a essas tendências e usar nossas habilidades para criar um mundo melhor para todos.
O design estratégico é uma jornada de autoconhecimento, um convite a repensar nossos processos de criação e a reconhecer a complexidade da natureza humana. Ao integrar a intuição e a razão, a empatia e a estratégia, podemos criar soluções que gerem valor para as pessoas, para as empresas e para a sociedade. Devemos nos lembrar sempre que nosso papel como designers vai além do estético e do funcional, somos agentes de transformação.
O design estratégico nos lembra que o caminho para a inovação não é linear e nem sempre racional. É um processo de constante aprendizado, que nos desafia a questionar nossas próprias crenças e a buscar novas formas de conectar com as pessoas.